quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Acerto de eficácia

Podem usar a expressão que quiserem, seja malapata, fantasma ou maldição. Tudo tem uma cura: eficácia. Quem é eficaz ganha (quase) sempre. O FC Porto foi-o e a meio da primeira parte já estava tudo com expetativas de uma goleada, onde nos últimos 2 anos passou sempre com receio primário de não vencer. 

Houve a felicidade que não existiu em outros jogos na Madeira, seja num remate à barra de Maxi no último minuto, nos Barreiros, ou na arbitragem deplorável de João Capela no Nacional-FC Porto de 2014. Ontem, até houve ressaltos e cruzamentos a dar em golo. Vitória tranquila, que deixa o FC Porto com a melhor diferença de golos da liga e a depender de si próprio para recuperar a liderança ao longo do próximo mês.

Um pormenor a merecer destaque: com maior ou menor qualidade, o FC Porto já leva 5 vitórias consecutivas fora de casa, a melhor sequência de Lopetegui no clube. Tendo em conta que nos últimos 12 jogos de 2014-15 o FC Porto só por uma vez ganhou 2 jogos seguidos, é algo que merece ser realçado, ainda que nem 10 vitórias seguidas justificariam perder pontos com o Tondela.





Laterais (+) - É a eterna questão: Maxi e Layún jogaram pouco contra o Dynamo e o Tondela porque a equipa jogou mal, ou a equipa jogou mal nesses jogos porque Maxi e Layún jogaram pouco? Mais três assistências dos laterais (uma de Maxi, duas de Layún), e todos os golos do FC Porto nasceram de investidas pelos flancos. Quando funcionam, a equipa funciona.



Danilo (+) - O golo, o primeiro pelo FC Porto, foi apenas um prémio merecido para uma excelente exibição. Sentido posicional perfeito, bem no início de construção, sempre eficaz a recuperar bolas à frente da defesa. Não há como subestimar o quão importante será que Danilo Pereira esteja (ou continue) na melhor forma ao longo das próximas semanas.

Novas soluções (+) - Quando é para bater, bate-se por tudo e por nada. Lopetegui correu imensos riscos ao lançar Herrera na última semana, é verdade. Arriscou... e recuperou o jogador. Capitão, Dragão de Ouro e titular após uma má exibição. Herrera recebeu a maior injeção possível de confiança. Se não acordava agora, nunca mais o faria. Lopetegui insistiu e o jogador deu a resposta, apesar da forma feliz como chegou ao golo.

Outro destaque foi o golo de Brahimi: fez o que tão poucas vezes faz - decidir com rapidez e objetividade. Desta vez não houve dança, nem um toquezinho a mais, nem a tentação de procurar outro enquadramento com a baliza. Recebeu a bola, puxou a culatra atrás e fez um grande golo.

Por fim, de destacar a melhoria nas bolas paradas. Quem cruza sabe para onde tem que cruzar (muito bem, Layún) e os jogadores sabem que zonas têm que atacar, como foi exemplo o golo de Danilo. Em 2014-15, as bolas paradas (cruzadas, não as rematadas) foram uma miséria: era bombear para a área e quem quiser que apanhasse. Já há melhorias, e há que manter.

De destacar também, uma vez mais, o choque de banco dado por Lopetegui. Tello e Aboubakar não estavam bem, então foi hora de dar oportunidades a Corona e Osvaldo. Uma boa gestão de plantel também tem que passar por aqui, de fazer perceber que ninguém tem a titularidade garantida e que todos têm que se aplicar ao máximo.





Não foi preciso, mas... (-) - Ganhámos 4x0, mas não será sempre possível contar com um ressalto ou um mau cruzamento a dar um bom golo. O FC Porto foi feliz na forma como chegou ao 3x0, o que transformou o que ia ser a estratégia de jogo (imensa circulação e lateralização) numa forma de gerir um jogo resolvido. A verdade é que nos primeiros 10 minutos via-se uma equipa pouco disposta a acelerar e verticalizar o seu jogo. E a equipa até rematou bem menos do que é habitual. Não foi preciso, porque a eficácia sobrepõe-se a tudo.

Peões e estratégia (-/+) - Para começar, lamentar a expulsão de Osvaldo. Não é um lance de quem quer magoar o adversário, é um lance que mostra o quão Osvaldo queria aproveitar a oportunidade. Com a sua equipa a vencer por 3x0, não deixa de disputar um lance na garra, tentando recuperar a bola. A dupla Hélder Malheiro e Bruno Paixão resolveu tornar uma disputa de bola numa expulsão. Ridículo.

Depois, Lopetegui voltou a fazer uma substituição que levantava questões: saiu o ponta-de-lança, então entrou um central. Com isso, desvia dois jogadores de posição (Indi e Layún) e responde de forma defensiva. Tudo depende de como os jogadores interpretam os sinais do treinador, mas Lopetegui, ao apostar numa solução de segurança, pode dar sinais de insegurança aos jogadores. Mas a verdade é que apesar da substituição, com 10 o FC Porto passou o último quarto de hora a pressionar no início de construção e a procurar a baliza (o contrário do que fez contra o Tondela). Ou seja, Lopetegui lançou peões para defender, mas a equipa não passou a defender mais atrás. Estratégia, no final das contas, bem conseguida, ainda que este tipo de alterações nem sempre possa ser o maior crédito de confiança aos jogadores. A rever.

11 comentários:

  1. A equipa jogou bem na primeira parte mas claro, a ganhar por 3-0 logo aos 22 minutos não precisou de forçar mais, acabou por apenas gerir o resultado e ainda assim marcou um golo quando já estava em inferioridade numérica. Estiveram muito melhor do que no jogo frente ao Tondela, é bom que continuem assim.

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  2. E um comentário ao Dragão de Ouro dado à nossa 'coqueluche' Herrera, não?

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    1. A lista foi anunciada a 18 de junho. Vamos discutir a sua justiça em dezembro? Curiosamente, na altura nenhum dos portistas se lembrou de contestar o prémio. Lembraram-se numa altura é que é preciso, como alguém um dia disse, alguns «bodes respiratórios».

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    2. Não é dos meus jogadores favoritos mas também não vejo nada de errado com o Dragão de Ouro. O prémio refere-se à época passada e ele foi um dos pilares da equipa durante todo o ano.

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  3. ganhamos e pronto. Layun a atacar é bom. Desta vez tivemos a sorte do jogo e ainda bem porque paixao estaria la para o que desse e viesse. Siga a roda.

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  4. Eu quero ler é uma crónica sobre os 400 milhões da NOS...

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  5. Vencemos na Madeira, finalmente. Agora é esperar pelo próximo jogo. Infelizmente, tem faltado estabilidade à equipa e vamos do 8 ao 80 muito rápido.

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  6. TdD quando tiver tempo, se poder, que tal uma analise ao que se passa actualmente com a questão dos direitos de tv ? Vamos conseguir fazer um bom contrato, ou podemos sair prejudicados, face aos valores que os lampiões assinaram ? Sempre pensei que o Joaquim Oliveira era nosso amigo, mas a sport tv ao pagar estes valores aos outros..quero ver quanto é que nos oferecem a nós..

    Abraço

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  7. Continuo achar k layun so é bom jogador para consumo interno...e nao em tds os jogos!na minha opiniao muito mal esta o nosso GRANDE F.C.PORTO quando um jogador mediano ganha um DRAGAO DE OURO!obrigado pela ótima opinião k semana após semana 'NOS' brinda!

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  8. Calma! Ganhámos na Madeira mas não ganhámos ao Nacional ou ao Marítimo. Esses são os nossos fantasmas do passado. Não o União, um recente promovido ao escalão máximo que está na luta para não descer.

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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