sábado, 12 de julho de 2014

A diferença entre investir num modelo e investir num objectivo. A chegada de Adrian López e a partida de Mangala

Pergunta simples: qual é o objectivo genérico do FC Porto? «Ganhar», é o que todos respondem. O FC Porto vive para ganhar. Os adeptos seguem e apoiam o FC Porto em todo o lado porque querem ganhar. E os mais leais não viram as costas mesmo na hora da derrota, porque sabem que, com o FC Porto, sob qualquer circunstância, mesmo as mais negativas, é possível recomeçar a reconstruir aquilo para que vivemos: para ganhar.

Oliver, contratação
que se justifica
Para alguns adeptos, versão que não subscrevo, os meios justificam os fins. Quer isto dizer que estão pouco preocupados com o dia-a-dia da gestão económica e financeira da SAD, com algum negócio sem a maior das transparências ou com eventuais quezílias que possam surgir: o que querem, acima de tudo, é ganhar, querem aqueles 90 minutos uma ou duas vezes por semana onde não existe nada mais do que a bola e aquilo que se passa dentro das quatro linhas. Ganhar, ganhar e ganhar.

Mas hoje em dia isso já não sasseia grande parte dos portistas. Já não há apenas os chamados treinadores de bancada, agora temos os dirigentes de banca. Adeptos que discutem se determinado jogador é caro ou barato, se foi bem ao mal vendido, que querem saber como foram aplicados os muitos milhões de transferências em jogadores. E acima de tudo, que querem perceber porque é que em 2014-15 o FC Porto vai ter um plantel com reforços maioritariamente conseguidos por empréstimo ou com recursos a (des)investidores e fundos.

O caso mais discutido é o de Oliver Torres, que chega ao FC Porto sem opção de compra e que é uma operação à margem de Adrian López. Muitos adeptos torceram o nariz, porque só vai ficar um ano no FC Porto e, dizem, vamos estar a valorizar um jogador de um clube que até há bem pouco tempo era carinhosamente tratado por Patético de Madrid. Os próprios adeptos já estão completamente integrados no modelo de comprar-valorizar-ganhar-vender-repetir. Mas este defeso não está a ser dedicado para o FC Porto manter o modelo a funcionar; está a ser dedicado para o FC Porto ser campeão em 2014-15. Oliver não chega para servir o modelo de vendas a médio-prazo: chega para ajudar o FC Porto a conquistar o campeonato.

Então, Adrian López...

Chegou sexta-feira ao final da tarde, para fazer os exames médicos, e está garantido no FC Porto, numa operação que nem a própria imprensa espanhola conseguiu antecipar antes de estarem concluídas as negociações - só se soube que Adrian López vinha para o FC Porto quando ele deixou o estágio do Atlético de Madrid. Acaba por ser a mais surpreendente aquisição do defeso, apesar de só ser possível através de Jorge Mendes, que no Dragão não só tem porta de entrada como de saída.

Uma «bomba» inesperada
Sobre Adrian López, numa altura em que o FC Porto ainda não divulgou os números à CMVM, é falsa a teoria de que vem por 11 milhões de euros e que esse dinheiro é «descontado» através da venda de Rúben Micael e Falcao. Basta abrir o último relatório e contas para ver que isso é mentira.

No final de março, o FC Porto só tinha a receber 3,875 milhões de euros desta venda. E conforme estava previsto, esta última parcela ia ser paga até 30 de junho. Por isso, a não ser que o Atlético entrasse em incumprimento (no passado recente, o único clube que deixou o FC Porto ficar mal quanto a isto foi o Lyon, que está há quase 2 anos para pagar 1,661 milhões pelo Cissokho e pelo Lisandro), este cenário não passa de uma invenção e estaríamos a falar de menos de 4 milhões de euros.

Sobre o jogador, sejamos francos. Se disséssemos que o FC Porto vai investir mais de 8 milhões de euros por um jogador de 26 anos (tirando Cissokho, ou Anderson, o FC Porto nunca fez grandes vendas com jogadores que ficaram menos de 2 anos no clube), que salta logo para o topo da folha salarial do clube e que nos últimos 2 anos marcou 7 golos, todos achariam absurdo. Mas na verdade todos sabem que Adrian tem mais valor do que dizem os números.

Tem a raça que caracteriza os jogadores à Porto, é bom finalizador, versátil e também pode jogar na alas - quiçá não será aí que vai começar a época. Fez uma excelente temporada em 2011-12 e pode vir a ser jogador de selecção espanhola assiduamente (Negredo, Fernando Torres, Llorente, Soldado e Villa são jogadores que não durarão muito mais na selecção, por isso Del Bosque pode vir a dar novas oportunidades a avançados). E mais uma vez, tudo começou com um telefonema de... Lopetegui, segundo disse o pai do jogador ao MaisFutebol. Se não der treinador, pelo menos temos um telefonista mais que aprovado (melhor que as tiradas do Barba e Cabelo d'A Bola, não?).

Um risco já em jogo em agosto

Descobrimos petróleo para confirmar todas estas contratações que se avizinham? Não, não descobrimos. Mangala está de saída para o Manchester City por cerca de 40 milhões de euros, negócio que será fechado nas próximas horas, e o FC Porto terá direito a mais do que os 56,67% a que à partida receberia, pois a Doyen Sports, como compensação, vai participar na vinda de outro jogador para o FC Porto, que deverá ser Brahimi. E Pinto da Costa pode ter prometido a Lopetegui que Jackson era para segurar até que alguém mordesse a cláusula (e por falar em morder, o dinheiro de Suárez vai meter muita coisa a girar, não esquecendo quem foi o clube europeu que tentou contratar Jackson Martínez antes do FC Porto), mas um olhar vertical às contas diz que é preciso vender Jackson. E mesmo que Lopetegui queira o plantel pronto até ao final da próxima semana, será inevitável que o mercado fique bem aberto até ao início de setembro.
Mangala vai para o
City, mas não chega

Perdoem-me a comparação, mas o FC Porto está a assumir o risco que, de certa forma, foi tomado pelo Benfica: investir no objetivo e não no modelo. Em 2013-14, o Benfica apresentou o maior orçamento da história do futebol português (alguma imprensa disse hilariantemente que o orçamento era de 40 milhões de euros - então expliquem-me como é que tiveram custos operacionais de 75 milhões de euros e gastaram 42 milhões em salários só nos primeiros 9 meses) e desportivamente foi recompensado: fez uma boa época e não deu hipóteses ao FC Porto. Mas mesmo a ganhar 3 títulos e a ir a uma final europeia, está a sofrer uma razia no plantel e numa situação financeira precária.

Para o FC Porto não será diferente. 2015 será quase inevitavelmente o ano do adeus a Danilo e Alex Sandro, e não só, atletas que o FC Porto tem a 100% e que precisa de valorizar o máximo possível na próxima época. Mas o desafio virá bem antes: o Tribunal do Dragão fez as contas e o FC Porto, se não o fizer antes, pode ter que vender entre o final de agosto e o início de setembro (o mercado continua aberto para Turquia e Rússia nesta data).

A projecção orçamental para 2014-15 indicia que vá ser necessário novamente 20 milhões de euros com market pool da Liga dos Campeões. Sensivelmente o mesmo que em 2013-14 e que criou um buraco de 8 milhões no orçamento. Por isso, se o FC Porto falhar o play off da Champions, será quase inevitável que tenha que vender em cima do fecho do mercado. Até porque os regulamentos da UEFA preveem, agora, que um jogador possa ser inscrito por outro clube mesmo tendo jogado numa pré-eliminatória. E se o FC Porto vai jogar a cartada de priveligiar o objectivo em detrimento do modelo, não podemos falhar a Champions.

PS: O Sporting, depois de uma época extraordinária (o adjectivo não é meu), fez um treino aberto em Alvalade e valeu uma grandiosa manchete no CM, com «multidão em Alvalade para ver reforços». Um conceito de multidão... curioso.



PS1: Tinha que acrescentar esta genialidade. Mas tecnicamente 2 já é plural. Fazem sentido, os milhares, sim senhor.

39 comentários:

  1. Penso que não ficou muito explicito no texto, considera que esta cartada, como lhe chama, é benéfica para o clube? De resto, considero que estamos a construir um excelente plantel para 13\14, não via tanta qualidade ofensiva desde a época de AVB (a confirmar-se as entradas de Adrián, Tello e Brahimi). Estou a gostar muito dos reforços, os negócios não posso comentar, porque não tenho dados para isso (aparentemente, nem o Tribunal do Dragão tem)

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    1. Vai um pouco ao encontro do que já é dito no início do texto: o que todos querem, em primeira e última instância, é ganhar. Eu sou um apologista de uma SAD mais contida, mas entendo o risco para 2014-15. Num clima de vitórias, os activos saem mais valorizados e pode ser, no futuro, mais fácil equilibrar a balança com vendas, mas isso aumenta os riscos a médio prazo, nomeadamente já para 2015-16 e para a própria época que se avizinha. De qualquer forma, a venda de Jackson Martínez pode resolver alguns problemas a curto prazo. Se Jackson não sair, aí sim o cinto aperta. Em relação aos negócios, os pormenores que podem ser partilhados estão neste e noutros textos. Se não há mais pormenores, ou é por impossibilidade de partilha ou mesmo falta de conhecimento - ora por dossiês estarem inacabados, ora mesmo por não saber.

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    2. Não era um critica, ate porque nem a imprensa espanhola ou portuguesa sabem os valores do negocio do Adrián. Já ouvi 15, 11, 8... Assim como do negócio Tello, empréstimo com opçao, empréstimo com custo de 8 milhões, compra definitiva por 12 Milhões, etc.

      Eu sei que o Tribunal partilha o que sabe e agradeço por isso.

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  2. Boa noite.
    Excelente post, como vem sendo hábito.
    A alteração da politica da SAD tem o seu lado positivo. Abertura a novos mercados, contratações que representam mais valias futebolísticas, de acordo ou pelo menos com aval do treinador. Há, claro, trocas de favores. Oliver é valorização de ativo Jorge Mendes/Atletico Madrid que poderá ter como contrapartida a vinda de um outro jogador em condições mais apeteciveis. A questão da sustentabilidade é relativa, porque com estas mais valias futebolísticas, se se conseguir formar uma grande equipa, torna-nos mais perto de conseguir equilibrar as contas subindo os activos, embora dificulte a gestão corrente. Se não fossem os novos ricos, com o ano que fizémos, os valor de Mangala cairia a pique.
    A titulo de entradas, pergunto se este investimento forte irá limitar a disponibilidade para investir num trinco, e no desejado guarda redes.
    A titulo de saídas: há hipótese de vender por valores decentes os direitos desportivos de jogadores como Varela, Abdoulaye, e Defour? Josué, Licá, Carlos Eduardo, Djalma são vendaveis, ou teremos que nos contentar com dispensa por empréstimo? Herrera ou Quintero são para tirar rendimento desportivo, ou é provável que sejam negociados?
    Forma de jogar: pretende o treinador manter o FCP em 433, ou podemos esperar por um 4132, ou 4231?

    Abraço portista a todos, em especial ao(s) autore(s) do blog

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    1. Sobre o desejado guarda-redes, quando alguns já davam o Navas como certo no Bayern o clube desmentiu o interesse. O Atlético está a tentar o Oblak. Logo, não sei que leilão é que o Levante pretende fazer, mas parece que não há muitos mais candidatos. É um jogo de paciência de desfecho imprevisível, mas a premissa de Lopetegui não foi «eu quero o Navas», foi «quero um guarda-redes melhor».

      Para médio-defensivo vai forçosamente chegar alguém, isso é óbvio. Sobre as saídas, são perguntas às quais só a SAD ou os empresários encarregados de colocar alguns desses jogadores podem responder, visto que neste momento só o Djalma está oficialmente dispensado.

      Herrera e Quintero, como os próprios já disseram, são para ficar. Quanto à táctica, só vamos ver na Holanda, visto que o jogo com o Aves vai ser à porta fechada.

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    2. quanto a isso dos jogos, os jogos na holanda iram ter transmissao televisiva? se sim onde?

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  3. A Balança entre as compras e as vendas vai continuar a ser bem positiva. Nas minhas contas (não conhecendo o que ainda se vai passar até 1 de Agosto) acho que no final podemos ter um lucro superior a 30M, mesmo descontando as % dos tais fundos. O que é óptimo na minha opinião.

    Vendas: Mangala 25M; Jackson 30M; Iturbe 7.5M; Fernando 8M; Defour 3M; Varela 6M; Rolando 3.5M; Castro 2M; Josue? Abdoulaye?

    Total: Entre 80/90M

    Compras: Martins Indi 8M; Adrian 10M; Brahimi 10M; Um Trinco ainda por contratar imagino por 10M; Tello, Oliver, Opare e Evandro = ??? mas supostamente são baratos.

    Total: Entre 40/50M

    Eu sei que os valores não são totalmente exactos mas tambem não devem andar muito longe disso.

    Continuamos com a balança comercial bem positiva. Acaba por ser um Verão normal. A única anormalidade é o empréstimo sem opção de compra do Oliver... mas é uma excepção. O Adrian vem com 26 anos tal como veio o Jackson e hoje ninguém se queixa.

    Admito que os custo com o pessoal possam ser muito elevados. Os Espanhóis não devem ganhar pouco. Mas se forem bons aceito.

    Abraço

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    1. Bem lembrada, a questão da idade do Adrian vs Jackson.

      Certamente que um avançado internacional espanhol que renovou no final de 2013 por 5 épocas não ganha pouco. Mas o caro pode sempre tornar-se barato mediante o que render dentro de campo.

      É melhor ter um titular goleador a ganhar 200 mil euros do que ter dois suplentes que nada acrescentam a ganhar 80 mil limpos cada, por exemplo.

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    2. Josué e Varela não devem sair os 2. Aliás, não entendo porque a fixação em "expulsar" o Josué do FCP. É um jogador jovem, de muito bom nivel, da casa e que sente o clube como poucos.

      O FCP precisa de ter jogadores tugas\formados em Portugal, se sair o Varela e o Josué, ainda para mais em conjunto, isso torna-se bastante dificil, pois temos que ter em conta o nº de jogadores formados em PT para inscrever 25 jogadores na UEFA.

      Acho que essas contas são razoaveis, mas tal como já referi, não acredito na saida do Varela\Josué, ou pelo menos não quero acreditar. Gosto de ver jogadores tugas na nossa equipa e esses 2 seriam opções de grande qualidade para o banco.

      Defour deve sair e já vai tarde. Rolando parece que está a fazer birra. Jackson não me acredito que fique, mas vamos ver o que o Liverpool faz agora sem Suarez e sem grandes PL's no mercado com carateristicas pra jogar na equipa. Abdoulaye e Maicon deveriam ser para vender. Muito para "limpar" e muito para contratar parece-me.

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  4. Boa Noite, novamente é de forma bastante agradável que leio os seus post bastante informativos e esclarecedores. No entanto, não deixei de ficar preocupado quando se falou na comparação com o Benfica e no facto de eles este ano estarem a vender os melhores jogadores, fica então a pergunta: Será que isso nos vai acontecer para o ano se não ganharmos o suficiente? E com isto surge outra pergunta: A pressão sobre o treinador e consequentemente sobre os jogadores poderá afectar o seu desempenho esta época? Isto porque este investimento implica que haja retornos e para isso temos que ganhar competições e fazer uma boa campanha na Liga dos Campeões/Liga Europa. Neste defeso o que para mim está mais "nublado" é se o Jackson realmente fica ou não. Esta é a questão dos "milhões", por um lado necessitamos do seu retorno financeiro, por outro necessitamos do seu retorno desportivo, qual deles compensará mais?

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    1. A pressão é a de sempre: ganhar. Quanto a isto, nenhuma mudança.

      Com sucesso desportivo, é mais fácil garantir retorno financeiro. Por outro lado, às vezes para chegar ao sucesso desportivo é necessário correr riscos financeiros acima das possibilidades.

      Quem lê O Tribunal do Dragão sabe que aqui se defende uma política de maior contenção, mas entende-se o risco da SAD para 2014-15, apesar dos detalhes dos negócios que estão a ser formalizados ainda não serem conhecidos, excepção ao Adrian, que custou 11 milhões de euros por 60% do passe.

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  5. O adrian é um enorme jogador, penso ser a contratação da época em Portugal( até agora) mas o que me faz mais confusão é o treinador estar a fazer uma pre época com um plantel que praticamente não vai ser a sua aposta...ora vejamos Gr - quer um novo, centrais- estão para chegar, médio defensivo - não há ainda, extremos- só quaresma é certo ( sendo que estou muito curioso para ver o destaque que o treinador lhe vais dar,ou não) avançado vai chegar ainda, ou seja 70% da equipa???ainda não está a trabalhar! só espero que o sorteio da champions seja nosso amigo! porque falhar essa porta de entrada pode ser muito complicado para o nosso porto. Parabéns pelo blog, está aqui um belo cantinho azul, já fazia falta

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  6. TdD,

    sendo certo que esta política de contratações está mais virada para o plano imediato do que para o plano tradicional de potenciação e valorização lucrativa,
    e sendo também certo que destes negócios mais badalados (Adrian, Tello, Brahimi – a confirmarem-se - e Oliver) poucos ganhos consideráveis poderemos lucrar,
    queria-lhe perguntar: não podemos ver a gestão desta época como um mero adiamento desta ótica de sustentabilidade financeira, de mero “congelamento”, como se fosse um ano 0 em que só se vai pensar na vertente desportiva? Quer dizer, se é óbvio que dificilmente ganharemos alguma coisa significativa com futuros negócios destes jogadores, isso implica que se tenha de ficar a perder no plano financeiro?
    As contratações confirmadas até agora foram low cost. Opare e Ricardo fazem todo o sentido no plantel, cada um pelos seus motivos é útil, e tudo bem que se pagou algo de prémios de assinatura e comissões pelo meio, mas suponho que sejam gastos acessíveis. Sami, ainda que por interesses diferentes (e esperando que esteja já de saída…) também .
    Depois temos o Oliver, a mais “controversa” no que toca aos moldes, precisamente pelo que o TdD disse no post. Por mim não é um problema, desde que seja um craque que venha fazer a diferença (na minha visão, um plantel deveria ser um misto de jogadores da casa/baratos para rotação, jogadores já de alguma qualidade acima da média e de fácil valorização, e um ou dois ou três em que não se afigure grandes ganhos financeiros, mas sim ganhos desportivos, que sejam o “motor” para pôr o resto do modelo em funcionamento); entre um empréstimo ou comprar-se jogadores caros por X% do passe com a ajuda (ou “ajuda”) de fundos… no que toca a ganhos realmente palpáveis acho que vai dar ao mesmo, não é isso que fará toda a diferença. Mesmo negócios como o do Jackson, no sentido em que se pagou um valor já fora do que devia ser o nosso raio de acção, ainda que agora se venha a lucrar bem (já que ao contrário dos outros negócios que referi, vimos chegar o passe todo – agora está em 80%, penso) também enquadro aqui neste pensamento, porque comportou grandes sacrifícios financeiros a troco de rendimento desportivo imediato.
    Isto tudo para dizer: desde que o Oliver seja realmente esse craque que venha fazer a diferença, e que não seja incompatível em campo com jogadores como o Quintero e os que se fala que vamos buscar… por mim tudo bem. Se não for, aí aponta-se o dedo. Até lá, visto que o mister Lopetegui acredita que, apesar da idade, ele é isso tudo apesar, dou o benefício da dúvida.
    Os restantes negócios, os moldes que vão ganhando mais força são: Brahimi por X% do passe com a ajuda de fundos (Doyen Sports, salvoerro); Tello, por empréstimo com opção de compra elevada ou contratação com preço elevado através da ajuda de fundos, vemos x% do passe; Adrian, contratação com preço elevado através da ajuda de fundos, vemos x% do passe. Também se poderá juntar aqui o Indi, que se fala que será 8/8.5M€ por a totalidade do passe ou perto disso. Portanto, todos estes se enquadrarão também no que escrevi em cima: à partida jogadores que vêm fazer a diferença no plano desportivo, não tanto no plano financeiro.
    Agora com esta contextualização toda, e esperando que seja mais fácil de perceber a minha visão sobre isto tudo, pergunto ao TdD se concorda ou desconcorda, e se há fatos que alteram este pensamento que nestes negócios não teremos grandes perdas. P.ex, teremos de pagar uma grande fatia do salário do Oliver (se for já elevado), ou está a “meias” com o Atlético e não é nada de especial? Os salários daqueles 4 jogadores, já se espera que sejam para ficar na 1ª linha dos mais bem pagos, mas serão incomportáveis para a nossa realidade? Ou ainda são “aceitáveis”? Se vierem contratações com fundos, ou mesmo em caso de empréstimos, é de esperar que as comissões e prémios sejam ridiculamente elevados?

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    1. «não podemos ver a gestão desta época como um mero adiamento desta ótica de sustentabilidade financeira, de mero “congelamento”, como se fosse um ano 0 em que só se vai pensar na vertente desportiva?»

      Certamente é uma maneira de ver as coisas, aliás, todo o seu post vai de encontro à leitura que faço. As maiores dificuldades até poderão vir em 2015-16, isto porque temos Danilo e Alex Sandro a 100% para transferir em 2014-15.

      Jackson Martínez também temos a 100%, mas repare que as dificuldades de que falo para o exercício 2014-15 poderiam ser solucionadas se vendêssemos o Jackson já, ou até 30 de junho, caso não haja problemas de tesouraria após os 6 primeiros meses da época, algo que infelizmente e lamentavelmente aconteceu nas últimas 3 temporadas.

      Depois de 2016, talvez nomes como Herrera, Quintero (a SAD vai comprar mais passe) e alguns dos reforços que vão chegar em 2014 já sejam candidatos a transferências milionárias e possam manter a máquina a funcionar.

      Por isso, este risco financeiro pode ser recompensado se desportivamente estivermos à altura. O rogério almeida já expôs bem, no comentário abaixo, a importância de garantir já a Liga dos Campeões.

      Se por acaso falharmos a Champions, algo que não admito, com o plantel que se perspectiva que vamos ter é obrigatório vencer a Liga Europa. Aqui, financeiramente garantimos os serviços mínimos no que toca a market pool da UEFA e desportivamente vencer uma Liga Europa se calhar valoriza mais os jogadores do que ir aos oitavos da Champions.

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    2. Pois. É esse o "prognóstico" que vou fazendo mentalmente no que toca a transferências em cada época para equilibrar a balança... se bem que no caso dos laterais brasileiros, também será importante acautelar as suas situações contratuais, para não ficarmos numa posição menos privilegiada em negociações... que não se repitam os erros do passado, é o que peço.

      O problema disto tudo até seria: quando esses todos saírem (e não é num espaço temporal assim tão alargado, seriam só duas épocas, em princípio)... e não contando com os jogadores que mencionei no post em cima, que não os vejo como valorizações notáveis de reduzidos sacrifícios... quem restará para continuar o modelo do "compra barato, potencia, vende caro"? Que sejam apetecíveis no mercado? A não ser que alguém expluda do nada, só o Reyes e o Ghilas (que também não foram baratos, verdade seja dita)...

      Ou seja, vendendo as estrelas que ainda temos e os craques caros/emprestado que aí vêm, pouco vai restar para valorizar e lucrar a sério.

      Daí que seja cada vez mais importante uma aposta a sério nos jovens valores da formação e em contratações criteriosas para a equipa B (estrangeiros jovens de qualidade e preços aceitáveis, sobretudo)

      Era tão bom que o Mister tivesse o perfil de bater o pé para se fazer o que nao se faz no Dragão há anos... Gonçalo, Rafa e Ivo, no mínimo estes em condições normais poderiam perfeitamente ser introduzidos aos poucos este ano. Se tudo correr como o esperado, Pavlovski e Lichnovsky seriam mais dois.

      Mas acho que depois do negócio Tozé, é melhor não ficar com expectativas muito elevadas...

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  7. Não entram os 8,6ME no exercício 2013/14, pelo apuramento directo para a Champions, mas entram 2,1ME pela presença na Pré-eliminatória e deixam de sair 4/5ME relativos a prémios pelas conquistas, pois nada ganhamos.

    Por outro lado, se fizermos bem o nosso trabalho, no próximo exercício (este de 2014/15, que começou a 1 de Julho) entrarão dois prémios de entrada na Champions, isto é: 2x8,6=17,2ME. A que juntaremos os valores pelo desempenho e, esperamos nós, o do apuramento para os 1/8. Se tal acontecer, serão cerca de 25ME no exercício de 2014/15.

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  8. Em relação a Danilo e Alex Sandro não seria melhor renovar com eles agora?é que podemos ficar com "encostados à parede" uma vez que entram no ultimo ano de contrato...tratam-se de 2 excelentes laterais que hoje em dia não é fácil encontrar e foram um enorme investimento da sad.

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    1. e não existe essa intenção por parte da sad?está-se à espera que aconteça o mesmo que aconteceu com o Fernando?

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    2. As renovações de contrato não são unilaterais.

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  9. Só uma dúvida em relação a mais um excelente texto teu, falando das contas parece-me que os portistas no geral estão a esquecer-se que á partida temos um contrato com a Warrior mais vantajoso do que o anterior com a Nike e mais importante é que esta época o nosso contrato com a Olivedesportos vai passar para os 20M€ em vez dos supostos 9-10M€, estamos a falar de +10M€ ano, e como já referi alguma vezes no fórum dos dragões, lembro-me que o Benfica há uns anos atrás quando renovou contrato com a Olivedesportos tinha recebido um grande adiantamento, não se poderá passar o mesmo com Porto este ano o que nos daria algum desafogo nas contas?

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    1. João Lopes, não conheço os detalhes do contrato com a Warrior, até onde sei não difere muito dos valores da Nike. Sobre a Olivedesportos, também é uma situação que não conheço com a profundidade suficiente, mas o contrato estende-se até 2017-18 e o SCP também vai tentar romper quando terminar o deles. Seremos mais valiosos do que nunca para a Olivedesportos, isto se este império se aguentar...

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  10. É importante percebermos que esta época tinha de ser assim. Depois do que aconteceu na temporada anterior e da notória falta de qualidade do plantel e do tão falado "fim de ciclo" que a imprensa não se cansou de apregoar, o Porto só tinha uma solução, era fazer o que está a fazer, ou seja, reforçar a equipa com jogadores de qualidade para voltar a conquistar títulos! E é sobretudo isto que conta, os títulos, se eles continuarem a chegar ao Dragão, a valorização nos nossos jogadores continuará a permitir ao clube realizar bons encaixes financeiros, vai-nos permitir estar na Champions e quem sabe fazer melhores campanhas.... e com os benefícios financeiros que daí vêm.
    E quanto a vendas ainda se pode vender Abdoulaye, Varela, Deffour, Rolando, que se junta ás vendas com valores já bastante bons de Iturbe, Fernando, Castro e agora Mangala (mesmo não tendo a totalidade dos passes destes jogadores) por isso entre entradas e saídas ainda vamos ficar com saldo positivo. Importante será conseguir a qualificação para a Champions!

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  11. Boa tarde Tribunal do dragão.
    O tal jogador Gudelj - é croata ou sérvio ? Diz a Imprensa que estamos interessados nesse jogador, mas uns dizem que é croata outro é servio ! Mas nem a nacionalidade conseguem dizer direito ? Ninguém da Sad reparou em Tejeda ou Aranguiz ?
    Navas ainda pode vir ? Seria um bom reforço... mas não a última coca-cola do Deserto .Levante não pense que iremos entrar em Loucuras!
    Já agora Rolando não quer mesmo ficar ? Ou é veneno para equilibrar com o caso Oblak e desviar atenções da sangria Vieirista ?

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    1. O efeito Paulo Fonseca ainda se faz sentir. Alguma confusão no mapa quanto à nacionalidade do jogador.

      Essa última questão só encaixa numa lógica de mania de perseguição, que neste espaço não tem lugar.

      Pinto da Costa lá saberá quais os motivos que o levaram a afirmar que o Rolando fica e a garantir na mesma declaração que não vai manter jogadores contrariados no plantel.

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  12. Qual a diferença entre vender Jackson agora ou depois da época, até o dia 30 de Junho?
    O exercício financeiro seria o mesmo. A menos que a nossa liquidez esteja em situação tão precária que não conseguíssemos cumprir com os nossos compromissos até essa data OU exista uma desvalorização drástica do jogador em questão, economicamente não vejo desvantagens. Desportivamente, desde que Jackson continuasse com a cabeça cá...

    Mas... Tello, Brahimi, Quaresma, Varela (?), Adrián e Jackson para 3 posições? Estamos a falar de manter 20 milhões constantemente no banco, todos com pretensões (e idade) válidas de serem titulares. Juntam-se médios e defesas (alguns deles bem caros).

    Em negócios, é costume caracterizar-se isto de trade-off. Há que escolher bem os alvos, e deixar ir outros para que não se tornem capital empatado, que inviabiliza o modelo a longo termo, bem como o reforço de outros sectores. É que alguns destes elementos têm um prazo já bastante breve - Quaresma (30), Varela (29), Jackson (27), Adrián (26). No topo disto tudo, qualquer um tem uma manutenção (salários) elevadíssima. Esta discussão não se coloca na defesa, onde os custos altos (e tão criticados em tempos) justificam-se com a aposta de qualidade para ambos presente/futuro.

    Isto para dizer que o investimento num objectivo não precisa de ser excessivo. Todos tínhamos a noção que o ataque pecou por escasso nos últimos anos, o que não significa necessitar agora do dobro das opções para funcionar.

    Somos todos humanos, somos todos certos de errar. Confio (ainda) em quem manda, portanto espero para ver o plano geral, especialmente o que sucede até o fecho do mercado. Depois disso, o tempo dirá se este all-in é certeiro ou não.


    AA

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    1. «A menos que a nossa liquidez esteja em situação tão precária que não conseguíssemos cumprir com os nossos compromissos até essa data».

      Diria que vai mais ao encontro desta situação, a avaliar pelo descoberto bancário negativo no final de março. Difícil saber em que medida o dinheiro de Iturbe e Fernando muda esta situação, já que o de Mangala já tem destino anunciado há muito.

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  13. Vai ser uma aposta de risco esta época, começando logo pela ida ou não à Champions. Mas para já as indicações dadas pelo treinador até são positivas.

    O único ponto negativo a apontar é a falta de informação dada pelo clube em relação a entradas. Até agora nenhum jogador foi apresentado oficialmente. Simplesmente apareceram no treino (caso do Ricardo ou Evandro). Pode parecer insignificante mas cria um verto distanciamento entre clube e adeptos.

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    1. Totalmente de acordo. Limitar as apresentações ao Porto Canal já isolava o clube, assim muito mais.

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  14. TdD e agora ?? Rolando out ,quem será o substituto de Rolando ???Há alternativas em carteira ??

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    1. Para já há 4 centrais em estágio na pré-época e ainda falta Martins Indi. Quantidade não é problema; qualidade, cabe ao treinador decidir.

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  15. Caro Tribunal com o bayern a negar o interesse no Navas e o Atlético a ficar com o Oblak não será que o Navas ainda vem para o Dragão?

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  16. Olhando para o valor investido no Adrian, fora as restantes aquisições, tendo em conta que não temos propriamente rios de dinheiro em caixa, a minha ideia é que estes fundos estão a vir directamente da carteira do Jorge Mendes. Não será isso? PdC trocou as prioridades, desvalorizando os negócios com boa rentabilidade para deixar o Jorge Mendes trazer alguns craques, com investimento garantido por ele, mas com a rentabilidade futura também a entrar em grande maioria no seu bolso?
    Um pouco como o negócio Roberto, ou como as vendas de André Gomes por 15M em que ninguém acredita.
    Vendemo-nos ao diabo tal como o 5LB, não terá sido?

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    1. Nem 8 nem 80. Entre hoje e amanhã daremos a opinião sobre o negócio do Adrian.

      Jorge Mendes não é dono nem servo, é aliado, mas como qualquer empresário nunca vai ficar a perder.

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  17. Estou preocupado com a saída do Rolando. Mais concretamente assistimos a um acrescente da qualidade do plantel mas quem será capaz de impor respeito e voz dentro deste plantel?
    Quem serão os capitães deste plantel?

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    1. Helton continua entre o grupo. Dentro de campo, Danilo e Maicon são bons candidatos. Varela e Jackson são incógnita por não se saber se ficam no plantel.

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    2. Não seria nunca o Rolando, depois da figura que fez em 2012, a impor respeito no balneário.
      As referências fazem-se ganhando. Está na hora de criar novas.

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    3. uma vinda de um jogador experiente portugues que ja por ca tivesse passado nao seria uma ma ideia... bruno alves? ricardo costa?
      ja agora 8 milhoes por martins indi? e dizem que é o substituto do mangala? lol
      indi é lento, é um jogador "pesado", "preso de rins" nao vale 8 milhoes

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