segunda-feira, 21 de julho de 2014

Djalma: à espera de quê?

Chegou ao FC Porto em 2011, proveniente do Marítimo, a «custo zero». O FC Porto ficou com 90% do passe de Djalma e cedeu 10% à Pacheco e Teixeira, com sede em Matosinhos, tal como a Promosport, do empresário António Teixeira, que todos os anos faz negócios com o FC Porto e que é carinhosamente tratado como o «agente das sobras», pois raramente oferece negócios realmente rentáveis ao clube.

Sem espaço, mas
a render anualmente
Djalma jamais seria mais do que um jogador útil. Da época 2011-12 retêm-se dois momentos: um falhanço no jogo decisivo contra o Zenit e o jogaço que fez na Luz, na vitória por 3-2. Angolano, é um jogador formado em Portugal, sempre útil nas inscrições para a UEFA, mas rapidamente se percebeu que nunca ia ultrapassar o campo da utilidade.

Então, a SAD alienou 25% de Djalma ao recém-criado fundo Soccer Invest Fund. Está registado na CMVM e é uma ramificação da MNF Gestão de Activos. O valor nunca foi oficialmente declarado, embora alguma imprensa tivesse apontado para 500 mil euros. O FC Porto disse-o assim:

«A alienação dos direitos desportivos e económicos sobre os jogadores Rúben Micael, Djalma (25% dos direitos económicos) e Iturbe (15% dos direitos económicos), que ocorreram igualmente neste período, não geraram resultados significativos

A CMVM é a única entidade que tem acesso à lista de investidores ligados à Soccer Invest Fund. Sabe-se apenas que Lino de Castro, ex-administrador do Sporting, é um dos nomes com ligação ao fundo de investimento. Certo é que o FC Porto avançou para uma série de negócios com esse fundo: 20% de Mikel, por 200 mil euros, 5% de Fucile, por 110 mil, 10% de Edú, por 100 mil, e 11% (depois passaram a 15%, pois havia a opção de comprar mais 4%) de Iturbe, por cerca de um milhão de euros.

Desconhece-se quantos jogadores continuam ligados ao SIF (não há conhecimento de negócios com os rivais da Segunda Circular), mas Fucile, Edú e Iturbe já não estão ligados ao FC Porto. Sobra Mikel, que se lesionou com gravidade, e Djalma, o nome que vai manter a máquina a mexer. Pelo terceiro ano consecutivo, foi emprestado a um clube turco.

Djalma tem 27 anos e jamais será aposta no FC Porto, já todos perceberam isso, e tem mais 2 anos de contrato. Esta era a altura de tentar vender o jogador a título definitivo. Mas o «agente das sobras» parece ter dificuldades em fazer grandes vendas. Beto (foi a custo zero para Braga, com 50% de uma futura venda garantida), Caetano, Candeias, Rabiola, Sereno, Soares e Tiago Rodrigues são alguns dos seus jogadores que tiveram ligação ao FC Porto e que, com excepção a Beto, nunca tiveram nem nunca vão ter papel relevante na equipa principal, nem foram vendidos por valores significativos. Curiosamente, o seu destino é quase sempre empréstimos sucessivos... Tiago Rodrigues é o próximo que se prepara de saltar eternamente de empréstimo em empréstimo até lado nenhum.

Avaliado em 2 milhões
em negócio com o SIF
Recentemente, António Teixeira intermediou a venda de Castro ao Kasimpasa. A imprensa falou em 3 a 3,5 milhões de euros. A SAD declarou 2 milhões. Só no próximo R&C é que se descobrirá qual foi a real mais-valia com a venda de um jogador sempre muito acarinhado pelos adeptos, embora também sem a qualidade que se exigia para ser um indiscutível.

A crítica aqui prende-se com a política em voltar a emprestar um jogador de 27 anos que nunca mais vai jogar no FC Porto. Mesmo em empréstimos, não deixa de haver encargos. E a diferença é que o FC Porto em vez de pagar de uma só vez os encargos por uma venda, anda a pagar anualmente por empréstimos. Sempre ao mesmo protagonista. Que esperam? Que Djalma saia em fim de contrato e até lá se garanta um clube que, todos os anos, pague uma parte do salário? Não seria mais rentável deixar o jogador, desde já, sair por uma verba de um milhão de euros?

E aqui está o problema. Com Djalma avaliado em cerca de 2 milhões de euros pela alienação ao SIF, o FC Porto não aceita uma valorização inferior no mercado, de modo a que o fundo não fique em prejuízo aquando da venda. A SAD surge assim condicionada pela avaliação que fez aquando da alienação de Djalma. O mais provável é que os empréstimos se sucedam até 2016, ano do fim de contrato, e que o SIF (desconhece-se se haverá uma cláusula de indemnização pela saída de um activo em fim de contrato) seja apenas mais um entre os fundos que passam, pastam e dão lugar a outros nos prados do futebol português.

Os fundos e as transferências

O Diário de Notícias, cuja equipa de Grande Investigação é do melhor (e talvez do pouco de bom) que há no jornalismo português, com excelentes investigações sobre Caso BPN, Orçamentos de Estado, PPP, Estado Social e até organizações secretas, publicou agora um trabalho interessante sobre os fundos em Portugal.

Vale bem a leitura. N'O Tribunal do Dragão só recorremos a informações oficiais para a análise, como aqui, mas o DN publicou alguns dados que se desconhecia, e até alguns que são errados (o empresário Romeu Magalhães, por exemplo, não tem 50% de Ghilas). E ainda não foi desta que alguém descobriu o nome do empresário de Kelvin.

Dão conta, por exemplo, que a transferência de Roberto está a ser alvo de uma investigação da PJ (curiosamente, envolvido na mesma fornada de inquéritos que o último capítulo relacionado com o Apito Dourado - mas incrivelmente, o jornal Expresso decidiu só publicar a notícia de que as transferências de Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho estão a ser investigadas e de que terá havido desvio de fundos para contas suíças, ignorando a investigação ao negócio Roberto), como a Ongoing e Joe Berardo ganham dinheiro às custas do SLB e como o Sporting tem um recorde de 22 jogadores alienados a fundos espalhados por paraísos fiscais. Mas o que importa é o FC Porto e é essa leitura que O Tribunal do Dragão recomenda.

Aqui há uma opinião formada e clara em relação aos fundos de transferências: não a favor da proibição, mas sim da regulação e da transparência. Criou-se a ideia de que os fundos são essenciais aos clubes portugueses - e são, mas apenas para que continuem a viver acima das suas possibilidades. Os fundos são parceiros essenciais para que os melhores clubes portugueses sejam superiores a equipas suíças, austríacas, belgas e polacas, apesar de Portugal ter um PIB inferior ao desses países. Não é esse o problema, mas sim a falta de transparência em alguns processos. Não devia ser necessário escavar tão fundo para saber quem está por trás dos... fundos. Se são meros investidores, o que há a esconder?

17 comentários:

  1. Os fundos deviam de acabar. Estão a tirar os lucros TDs aos clubes. J.Mendes e amigos são o cancro do futebol português. Empresários e investidores mais ricos e clubes em falência técnica... Assim esta o futebol português.

    Amigo, podes dar alguma novidade em relação ao defour? Sempre vai para o PSV?
    E o Jackson ta ah espera que o valência tenha novo sono?

    Obrigado.

    ResponderEliminar
  2. havia de haver um limite de jogadores alienados a fundos por equipa isso sim
    alguns fundos envolvem lavagens de dinheiro

    ResponderEliminar
  3. os fundos são instrumentos pouco claros. Se regulados, e de forma transparente, não vejo mal. Partilham riscos, partilham benefícios.

    Alguma das entradas está dependente de saídas? Brahimi de Varela, Jimenez de Jackson? Reforço do meio campo da saída de Defour?
    Novos reforços, oportunidades de mercado, ou ainda há alvos bem definidos.
    Cumprimentos, e nunca é demais, bem haja pelo blog

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Todas as entradas estão dependentes de saídas, ora por vagas no plantel, ora para libertação de fundos. O Mangala está a emperrar tudo (não sendo culpa do jogador) há dez dias e assim não há-de ser surpresa se algo que estava garantido der para o torto.

      Até lá, nada a antecipar. Muito menos do Defour, tema que nunca aqui foi abordado, a não ser que havia procuração para o negociarem com o PSV. Das negociações, o mesmo que em relação ao Djalma: o FC Porto não vai aceitar uma valorização inferior àquela que definiu quando alienou parte do passe do jogador. Seja através de dinheiro, seja na avaliação de géneros.

      Eliminar
    2. Pronto, lá se vai o negócio Brahimi pelo cano :(

      Eliminar
    3. A demora da transferência de Mangala, vai inviabilizar o negócio Brahimi, os últimos rumores indicam um impasse entre os clubes. O Granada não me parece querer esperar.
      Jackson deve estar de saída...
      Mas parece-me que o Futebol Clube do Porto, para haver entradas tem de haver saídas....Dossiers como Defour, Varela... por exemplo

      Eliminar
    4. O Brahimi já assinou, é tudo uma questão de resolver o impasse com o Granada e de ninguém faltar ao que foi acordado. Se ninguém romper com a sua parte, esta terça-feira deverá ser anunciado como reforço. Caso contrário a coisa pode ficar feia.

      Eliminar
    5. Mas o Granada veio com exigências de última hora! Não sei acredito cada x menos

      Eliminar
    6. Mas senhores ou senhor do tribunal do dragao digam me uma coisa, brahimi vem para medio ou para extremo? na sua opiniao em que posiçao deveria ser usado

      Eliminar
  4. Caro Tribunal do Dragão, o que se passa com a transferência do Mangala para o City? Li que já estava tudo acordado e que o jogador já tinha feito testes médicos, mas nunca mais se vê a oficialização.

    Obrigado

    ResponderEliminar
  5. Se o negocio Mangala abortar estamos bem lixados..não estou a ver mais nenhum clube a dar 40 M por ele..

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estamos lixa dos pq? É um belo jogador e um exemplo daquilo que deve ser um profissional do FCP fora de campo.

      Eliminar
  6. Tudo preocupado com o negocio mangála qd quem lucraria mais com esta transacção seria o empresário e o fundo. Para vender ah outros jogadores, tipo Jackson que por diversas vezes mostrou descobre tento com o 'pouco" que recebe...

    ResponderEliminar
  7. Ricardo Costa é jogador livre. Regresso à vista? Isto é, depois de se falarem dos regressos do Bruno Alves e Ricardo Carvalho, faz algum sentido especular-se o seu regresso, apesar da sua menor preponderância quando esteve no FCP.
    De qualquer forma fica a questão, caso possa dizer alguma coisa.

    Bom trabalho, já agora.

    ResponderEliminar
  8. Caro TdD, que acha da mensagem do Helton? Será o fim de carreira do nosso capitão?

    Obrigado
    Ribeiro

    ResponderEliminar
  9. O Ricardo costa é um lider, portista como poucos. O problema é que os portistas trataram-no sempre mal, talvez por terem demasiadas espectativas. Só acredito que venha para o FCP caso o porto desista do Marcano. No entanto o tribunal do dragão já anunciou esta contratação faz dias, por isso não faz sentido, haveria excesso de centrais.

    ResponderEliminar
  10. N tou a ver o Ricardo costa vir para o porto. Isto pq n ha fundos a investir em jogadores de 33 anos...

    ResponderEliminar

De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

Quem confundir liberdade de expressão com injúria, insulto, mentira ou difamação não passará pelo lápis azul. Todo o spam será apagado. Comentários anónimos são susceptíveis de não serem publicados. Nicknames são permitidos.